Vida fast food
Fast emocional+fast espiritual+fast filosofal
Para quê aproveitar o agora- o tudo que tenho, se posso fazer mil coisas ao mesmo tempo?
Sem ler a obra a fundo, eu vivo correndo pelo mundo
Trocando minhas tecnologias,
Adquirindo novas falas,
Vestindo o novo estilo porque daqui a pouco chega outro
Consumindo as novas tendências, comprando os novos discursos
Eu sou um parasita desse mundo
Entro dentro do jogo e me torno um participante
Meu papel é incorporar as novas atitudes e as últimas modas
Coloco no meu corpo e tiro do meu corpo
São tantas coisas para incorporar
Eu não sou eu
Me padronizo e me generalizo
Melhor não opinar, basta comprar.
Compro tanto que me torno um ser volúvel,
O que eu gosto é o que você gosta
E assim, descartável, eu sou um fast-homem
Me fabricam e eu aceito a fabricação.
Sou passiva na fast-vida.
Nath P.
Come as you are! Para mim, escrever é a melhor maneira de significar. Gosto de escrever livremente; interagir com os fatos do meu cotidiano. O que é o fato? Ele existe? Este blog é para meus amigos, meus alunos e desconhecidos que por alguma razão vieram parar aqui...no Pineapple fields forever! Que vontade eu tenho de acreditar na eternidade!
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
ESTÁ TUDO BEM!
O Brasil não é ruim
Os deputados brasileiros não são vagabundos, não ganham quase R$ 25 mil por mês mais uma série de ajudas de custo como passagens aéreas, casa, comida, roupa lavada etc., não passam só três dias da semana em Brasília, onde não atuam somente em causa própria, comprando e vendendo favores e outras paradas que não os tornam cada vez mais ricos ilicitamente.
Eles não ganham o 13º terceiro, o 14º quarto e o 15º salários e não têm direito a dois meses de férias e mais uma série de recessos por ano. A aposentadoria dos congressistas brasileiros, depois de quatro anos não trabalhando exclusivamente em próprio benefício, não é muito, mas não é muito mesmo maior do que a aposentadoria de qualquer pessoa que trabalhe em algo útil para a sociedade. Afinal, os legisladores brasileiros não têm o direito de decidir o valor do próprio salário, nem a própria aposentadoria.
Deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores, empresários, sindicalistas, policiais, juízes brasileiros não são criminosos, já que não foram filmados, em flagrante, recebendo dinheiro, colocando dinheiro na meia, na cueca, na mala-preta.
O dinheiro que eles não roubaram na cara de todo mundo, que não foi mostrado na televisão para quem não quisesse ver, não era dinheiro público que não serviria para melhorar a saúde e a educação de verdade, que não serviria para salvar do crack, da bandidagem, da prostituição infantil, da escravidão que não existe no Brasil, da indignidade mais indigna, as crianças brasileiras mais pobres, que não são ameaçadas o tempo todo pela sociedade brasileira, que não está cada vez mais violenta, que não está cada vez mais fissurada para linchar criancinhas pobres, crucificar o Cristo e botar o Padilha e o Capitão Nascimento, que não são fascistas, para espancar os maconheiros de Ipanema.
A esmagadora maioria dos congressistas brasileiros não é corrupta, já que, quando uma deputada, que não foi filmada em flagrante, não recebendo dinheiro de corrupção, que não é filha de um político vencedor de várias eleições, já que não costumava comprar votos, já que não costumava receber dinheiro de sonegação de impostos para não financiar campanhas eleitorais em troca de obras públicas que não são superfaturadas, é julgada por falta de decoro parlamentar, por não ser filmada recebendo dinheiro de corrupção, não é inocentada, já que a maioria dos congressistas brasileiros não tem rabo preso e não têm medo de também sofrerem algum processo, caso algum colega corrupto seja preso de verdade e resolva não entregar quase o Congresso inteiro, já que quase o Congresso inteiro não convive cinicamente com todo tipo de corrupção.
Aliás, todo mundo não sabe como não são financiadas as campanhas eleitorais no Brasil e nem como o Executivo não é obrigado a comprar boa parte do Legislativo para não conseguir governar ou sequer para não aprovar uma lei importante que não resolva problemas que não são importantes para o Brasil e para as crianças pobres que, obviamente, não acabam se tornando adolescentes e adultos ignorantes, violentos e primitivos.
O povo brasileiro não tem orgulho da própria ignorância, não está acometido por um excesso de autoestima, já que, nos últimos anos, governo, fabricantes de comida gordurosa e locutores esportivos da televisão não ficam o tempo todo lançando mensagens subliminares ou diretas mesmo, não dizendo que o brasileiro é um ser superior, que basta ser brasileiro para conseguir superar qualquer obstáculo através de seu fabuloso jogo de cintura.
Sim, não há uma quantidade enorme de crianças brasileiras pobres, no inverno, dormindo na rua, já que, criança pobre, dormindo na rua, fumando crack, é coisa de país pobre, de país que deve dinheiro ao FMI, de país muito primitivo, de país que não tem a menor condição de fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, de país onde seria impossível realizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada em seguida.
Por falar nisso, as obras para a Copa e a Olimpíada não são uma excelente fonte de renda para políticos que não são corruptos. Óbvio que não há superfaturamentos, caixa dois, nem utilização de dinheiro público em obras privadas. Inclusive o ministro do Esporte não é do mesmo partido que o deputado responsável pelo novo Código Florestal. E a aliança entre comunistas e ruralistas para não perdoar desmatadores e não abrir precedentes para mais desmatamento não é historicamente esdrúxula. Claro, a questão da Amazônia não tem importância estratégica, militar, econômica ou social para o Brasil.
A Amazônia não vai ser toda desmatada.
No Brasil, meninas com 15 anos de idade não são colocadas em celas de prisão, para serem estupradas pelos presos.
E aquele pretinho de 7 anos de idade, que não dorme debaixo do caixa eletrônico da sua rua, quando tiver 15 anos, não vai se tornar um adolescente perigoso, não vai cometer crimes e não vai ser violento com suas vítimas.
Por isso que o Brasil é bom.
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/994139-o-brasil-nao-e-ruim.shtml
ANDRÉ SANT'ANNA
ESPECIAL PARA A FOLHA
ESPECIAL PARA A FOLHA
Os deputados brasileiros não são vagabundos, não ganham quase R$ 25 mil por mês mais uma série de ajudas de custo como passagens aéreas, casa, comida, roupa lavada etc., não passam só três dias da semana em Brasília, onde não atuam somente em causa própria, comprando e vendendo favores e outras paradas que não os tornam cada vez mais ricos ilicitamente.
Eles não ganham o 13º terceiro, o 14º quarto e o 15º salários e não têm direito a dois meses de férias e mais uma série de recessos por ano. A aposentadoria dos congressistas brasileiros, depois de quatro anos não trabalhando exclusivamente em próprio benefício, não é muito, mas não é muito mesmo maior do que a aposentadoria de qualquer pessoa que trabalhe em algo útil para a sociedade. Afinal, os legisladores brasileiros não têm o direito de decidir o valor do próprio salário, nem a própria aposentadoria.
Deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores, empresários, sindicalistas, policiais, juízes brasileiros não são criminosos, já que não foram filmados, em flagrante, recebendo dinheiro, colocando dinheiro na meia, na cueca, na mala-preta.
O dinheiro que eles não roubaram na cara de todo mundo, que não foi mostrado na televisão para quem não quisesse ver, não era dinheiro público que não serviria para melhorar a saúde e a educação de verdade, que não serviria para salvar do crack, da bandidagem, da prostituição infantil, da escravidão que não existe no Brasil, da indignidade mais indigna, as crianças brasileiras mais pobres, que não são ameaçadas o tempo todo pela sociedade brasileira, que não está cada vez mais violenta, que não está cada vez mais fissurada para linchar criancinhas pobres, crucificar o Cristo e botar o Padilha e o Capitão Nascimento, que não são fascistas, para espancar os maconheiros de Ipanema.
A esmagadora maioria dos congressistas brasileiros não é corrupta, já que, quando uma deputada, que não foi filmada em flagrante, não recebendo dinheiro de corrupção, que não é filha de um político vencedor de várias eleições, já que não costumava comprar votos, já que não costumava receber dinheiro de sonegação de impostos para não financiar campanhas eleitorais em troca de obras públicas que não são superfaturadas, é julgada por falta de decoro parlamentar, por não ser filmada recebendo dinheiro de corrupção, não é inocentada, já que a maioria dos congressistas brasileiros não tem rabo preso e não têm medo de também sofrerem algum processo, caso algum colega corrupto seja preso de verdade e resolva não entregar quase o Congresso inteiro, já que quase o Congresso inteiro não convive cinicamente com todo tipo de corrupção.
Aliás, todo mundo não sabe como não são financiadas as campanhas eleitorais no Brasil e nem como o Executivo não é obrigado a comprar boa parte do Legislativo para não conseguir governar ou sequer para não aprovar uma lei importante que não resolva problemas que não são importantes para o Brasil e para as crianças pobres que, obviamente, não acabam se tornando adolescentes e adultos ignorantes, violentos e primitivos.
O povo brasileiro não tem orgulho da própria ignorância, não está acometido por um excesso de autoestima, já que, nos últimos anos, governo, fabricantes de comida gordurosa e locutores esportivos da televisão não ficam o tempo todo lançando mensagens subliminares ou diretas mesmo, não dizendo que o brasileiro é um ser superior, que basta ser brasileiro para conseguir superar qualquer obstáculo através de seu fabuloso jogo de cintura.
Sim, não há uma quantidade enorme de crianças brasileiras pobres, no inverno, dormindo na rua, já que, criança pobre, dormindo na rua, fumando crack, é coisa de país pobre, de país que deve dinheiro ao FMI, de país muito primitivo, de país que não tem a menor condição de fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, de país onde seria impossível realizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada em seguida.
Por falar nisso, as obras para a Copa e a Olimpíada não são uma excelente fonte de renda para políticos que não são corruptos. Óbvio que não há superfaturamentos, caixa dois, nem utilização de dinheiro público em obras privadas. Inclusive o ministro do Esporte não é do mesmo partido que o deputado responsável pelo novo Código Florestal. E a aliança entre comunistas e ruralistas para não perdoar desmatadores e não abrir precedentes para mais desmatamento não é historicamente esdrúxula. Claro, a questão da Amazônia não tem importância estratégica, militar, econômica ou social para o Brasil.
A Amazônia não vai ser toda desmatada.
No Brasil, meninas com 15 anos de idade não são colocadas em celas de prisão, para serem estupradas pelos presos.
E aquele pretinho de 7 anos de idade, que não dorme debaixo do caixa eletrônico da sua rua, quando tiver 15 anos, não vai se tornar um adolescente perigoso, não vai cometer crimes e não vai ser violento com suas vítimas.
Por isso que o Brasil é bom.
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/994139-o-brasil-nao-e-ruim.shtml
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
MAIS DO MESMO
Recentemente, a propaganda da Hope com a Gisele Bunchen causou muita polêmica. O que pensar sobre isso? É sexista? Ofende? Não se passa de uma brincadeira? O que eu mais acredito é que cada um tem sua opinião e suas razões para tal. Também, o caso Rafinha Bastos e suas lamentáveis declarações sobre mulheres gerou o que falar. Eu tenho minhas dores e minhas opiniões, mas o que me interessa mais ainda é saber o que diferentes pessoas pensam e argumentam sobre isso; homens, mulheres, estudantes, professores, jornalistas, etc. Ai vai o resultado de uma produção escrita sobre igualdade de gêneros que meu aluno desenvolveu. Claro que ele não ia perder a oportunidade de incluir essa polêmica toda e atualizar sua redação. Ai vai:
Ouvidas de Lingerie – Tiago César.
Não é de hoje que a mídia usa o seu poder para persuadir, vender, conquistar e manipular o público. Assim, os preconceitos presentes na sociedade acabam por sua vez nos meios midiáticos, como é o caso das representações sexistas, reflexos do machismo ainda presente na sociedade do século XXI. Por que mesmo com os grandes avanços e direitos igualitários por lei ainda temos grandes sucessos de estereótipos na mídia? Como uma população que resulta de grandes avanços e conquistas sociais pode tornar-se alienada pelo poder da mídia?
A mídia traz uma padronização estética, de costumes e atitudes, o que exclui a diversidade e fortalece o preconceito. Basta você ligar sua televisão e observar propagandas de cerveja, roupas, carros, que muitas vezes usam da mulher como objeto para atingir suas vendas. Como é o caso da ultima campanha publicitária da “Hope”, que traz a modelo Gisele Bündchen ensinando que o jeito certo de contar más notícias para o marido é de lingerie (e de preferência da marca “Hope”). O fato é que as mulheres não devem ser só ouvidas de lingerie, como é mostrado na propaganda.
Há muitas propagandas que incentivam a divisão de costumes entre homens e mulheres, o que faz com que a mulher que goste de futebol ou o homem que é ligado à moda se sinta excluído, mesmo num país “igualitário” por lei. A “mulher Amélia” já ficou séculos atrás, hoje já sabemos que tanto um homem quando uma mulher pode liderar e governar um país com a mesma eficiência.
Uma sociedade não pode ser conduzida pelo poder da mídia. Não podemos ser julgados pela nossa personalidade ou por não possuir um corpo estético padrão, igual ao da Gisele Bündchen. A diversidade é o que faz a vida se tornar mais interessante, diferente e livre. Estabilizar-se em um conformismo é ir contra qualquer avanço cultural ou tecnológico.
O governo aposta em projetos como o “Prêmio - construindo a igualdade dos gêneros”, no qual alunos de escolas públicas ou privadas podem participar escrevendo redações sobre o tema. O vencedor recebe uma quantia de 10 mil para ser aplicado na ampliação e fortalecimento de ações promotoras da igualdade de gênero. Um projeto que estimula e fortalece a reflexão crítica e a pesquisa sobre as desigualdades existentes entre homens e mulheres no Brasil. É desligando a TV e participando de projetos como esse que muita coisa pode melhorar.
Tiros em Columbine
A minha parte favorita:
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domingo, 4 de setembro de 2011
Documentário
A Justiça no Brasil:
"Justiça", documentário de Maria Augusta Ramos, pousa a câmera onde muitos brasileiros jamais puseram os pés - um Tribunal de Justiça no Rio de Janeiro, acompanhando o cotidiano de alguns personagens. Há os que trabalham ali diariamente (defensores públicos, juízes, promotores) e os que estão de passagem (réus). A câmera é utilizada como um instrumento que enxerga o teatro social, as estruturas de poder - ou seja, aquilo que, em geral, nos é invisível. O desenho da sala, os corredores do fórum, a disposição das pessoas, o discurso, os códigos, as posturas - todos os detalhes visuais e sonoros ganham relevância. Em geral, nosso olhar é formado pela visão do cinema americano, os 'filmes de tribunal'. 'Justiça', sob esse aspecto, é um choque de realidade.
Ficha Técnica:
Título Original: Justiça
País de Origem: Brasil
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 107 minutos
Ano de Lançamento: 2004
Site Oficial: http://www.justicaofilme.com
Estúdio/Distrib.: Mais Filmes
Direção: Maria Augusta Ramos
"Justiça", documentário de Maria Augusta Ramos, pousa a câmera onde muitos brasileiros jamais puseram os pés - um Tribunal de Justiça no Rio de Janeiro, acompanhando o cotidiano de alguns personagens. Há os que trabalham ali diariamente (defensores públicos, juízes, promotores) e os que estão de passagem (réus). A câmera é utilizada como um instrumento que enxerga o teatro social, as estruturas de poder - ou seja, aquilo que, em geral, nos é invisível. O desenho da sala, os corredores do fórum, a disposição das pessoas, o discurso, os códigos, as posturas - todos os detalhes visuais e sonoros ganham relevância. Em geral, nosso olhar é formado pela visão do cinema americano, os 'filmes de tribunal'. 'Justiça', sob esse aspecto, é um choque de realidade.
Ficha Técnica:
Título Original: Justiça
País de Origem: Brasil
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 107 minutos
Ano de Lançamento: 2004
Site Oficial: http://www.justicaofilme.com
Estúdio/Distrib.: Mais Filmes
Direção: Maria Augusta Ramos
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
As melhores escolas estaduais de Osasco
Estou coletando dados para minha pesquisa de mestrado...
Você sabia que:
O IDESP é um indicador de qualidade das séries iniciais (1ª a 4ª séries) e finais (5ª a 8ª séries) do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Na avaliação de qualidade das escolas consideram-se dois critérios complementares: o desempenho dos alunos nos exames do SARESP e o fluxo escolar.
As três melhores escolas das cinquenta e duas escolas estaduais jurisdicionadas à Diretoria de Ensino Região Osasco que apresentaram as maiores notas de desempenho em Língua Portuguesa na 3ª série do ensino médio divulgadas no boletim IDESP 2010. Elas são: E.E Prof.ª Glória Azédia Bonetti (Jd. Bela Vista), com nota 3,6727, seguida da escola E.E Dr. Antônio Braz Gambarini (Jd, Veloso), que atingiu nota 3,5430 e, por fim, E.E Prof.º Benedito Caldeira (Jd. Jaguaribe) que apresentou nota 3,3340. Tais escolas também estão no ranking das sete melhores escolas da região que obtiveram o melhor desempenho geral no programa do IDESP do ano passado.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
O descobrimento
"There was happiness in his father's heart because of his son who was thirsty for knowledge"
terça-feira, 26 de julho de 2011
O descontentamento
"Siddhartha had begun to feel the seeds of discontent within him"
"Siddahartha had one single goal - to become empty, to become empty of thirst, desire, dreams, pleasure and sorrow - to let the Self die"
"Siddahartha had one single goal - to become empty, to become empty of thirst, desire, dreams, pleasure and sorrow - to let the Self die"
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Siddhartha, de Hermann Hesse
Hoje vou começar a refletir sobre o livro Siddhartha, escrito por Hermann Hesse. Li a primeira vez esse livro quando estava no 1º ano do Ensino Médio. Na época, ainda muito adolescente, lembro que o li muito rapidamente, na sala de aula mesmo, em alguns momentos de aula vaga. Alguma coisa na história de Sidarta me chamou a atenção. Aquele homem que andava mundo afora procurando respostas, buscando experiências com todos os tipos de pessoas e coisas me fazia lembrar de algum modo o meu heroi favorito desde a 7ª série; ele, o Holden Caulfield, de O Apanhador no Campo de Centeios (de J.D Salinger). Enfim, gostei do livro, apesar de na época as palavras significarem pouco para mim. Eu sabia que ali havia algo de muito precioso, mas teria eu que retornar uma próxima vez, para cultivar mais aquela terra, porque dali eu sentia que sairiam frutos, ou flores.
Isso foi aos 15 anos. Apesar de nunca ter esquecido desse título, a oportunidade para relê-lo somente surgiu semana passada quando encontrei Siddhartha na livraria Barnes & Nobles em Nova York. Não hesitei! É esse!
Siddhartha é mais que o retrato de uma jornada espiritual, é o retrato de um homem descobrindo a si próprio e enfrentando corajosamente o mundo e as diferenças. Sem preconceitos, sem conceber A Verdade a priori, Sidarta se abre para o mundo. Sedento pelo conhecimento, aprende a ouvir e a ser ouvido, aprende com o Budda, com as prostitutas, com as árvores e com os rios, para, por fim, ser capaz de tecer a sua própria filosofia de vida e conseguir o auto conhecimento.
E Hesse me fascina com o pensamento e a religião oriental.
Postarei todos os dias os fragmentos do livro que foram mais significativos para mim, os quais certamente dialogaram com todos aqueles que também têm dentro de si a semente do descontentamento...
terça-feira, 5 de julho de 2011
Poema by Chacal
"ART IS A GUARANTEE OF SANITY"
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| The two Fridas (1939) Para saber mais: http://miriamsmilesbox.blogspot.com/2011/03/artes-plasticas-frida-kahlo-pintora.html |
PINK FLOYD
Pink Floyd foi uma banda de rock britânica do século XX famosa pelas suas composições de rock clássico harmónico, pelo seu estilo progressivo e pelos espectáculos ao vivo extremamente elaborados. A origem do nome "Pink Floyd" deve-se à admiração do fundador Syd Barrett pela arte dos músicos Pink Anderson e Floyd Council, do blues.
É um dos grupos mais influentes na história do rock, além de um dos mais bem sucedidos, tendo vendido mais de 200 milhões de cópias de seus álbuns.[1][2] A produção The Dark Side of the Moon manteve-se no Top 100 Billboard de vendas durante mais de uma década. É também o grupo que mais tempo ficou nas paradas inglesas, ao todo são 911 semanas nas paradas.
Liderada pelo lendário cantor e compositor Syd Barrett, o grupo tinha um modesto sucesso na segunda metade da década de 1960 produzindo rock psicodélico. Problemas com as drogas, levaram a que Barrett fosse forçado pelos seus colegas da banda, a afastá-lo e substituí-lo pelo guitarrista e cantor David Gilmour.
Com a saída de cena de Barrett, o baixista e vocalista Roger Waters gradualmente tornou-se o líder e principal compositor do Pink Floyd. Esta fase foi marcada pela produção de álbuns conceituais como The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975), Animals (1977) e The Wall (1979) --- álbuns que obtiveram êxito mundial, foram aclamados pela crítica especializada e figuraram em listas dos mais vendidos e populares em vários países.
Mas após o álbum, The Final Cut, (1983), o grupo separou-se. Em 1985, Waters declarou que o Pink Floyd estava extinto, mas os demais membros - agora liderados por Gilmour, mais o tecladista Richard Wright e o baterista Nick Mason -, após uma ação judicial (português europeu) ou briga judicial (português brasileiro), retomaram a banda com o nome oficial e seguiram gravando e se apresentando - com grande sucesso comercial - e, finalmente, fecharam um acordo com Waters.
Em 2 de julho de 2005 e pela primeira vez em 24 anos, a formação mais clássica do Pink Floyd voltou a tocar, para a sua maior plateia, no concerto Live 8, em Londres, Reino Unido. Em 15 de Setembro de 2008, o tecladista Richard Wright morreu, pondo um fim no sonho de um possível retorno dos Pink Floyd.
Em entrevista concedida ao jornal italiano La Repubblica[3] no dia 3 de fevereiro de 2006, Gilmour indicava o fim do Pink Floyd, declarando que o célebre grupo não produzirá qualquer novo material, nem voltará a reunir-se novamente. No entanto a possibilidade de se fazer uma apresentação similar ao Live 8 não foi descartada tanto por Gilmour[4] ou Mason.[5]
Wikipedia
É um dos grupos mais influentes na história do rock, além de um dos mais bem sucedidos, tendo vendido mais de 200 milhões de cópias de seus álbuns.[1][2] A produção The Dark Side of the Moon manteve-se no Top 100 Billboard de vendas durante mais de uma década. É também o grupo que mais tempo ficou nas paradas inglesas, ao todo são 911 semanas nas paradas.
Liderada pelo lendário cantor e compositor Syd Barrett, o grupo tinha um modesto sucesso na segunda metade da década de 1960 produzindo rock psicodélico. Problemas com as drogas, levaram a que Barrett fosse forçado pelos seus colegas da banda, a afastá-lo e substituí-lo pelo guitarrista e cantor David Gilmour.
Com a saída de cena de Barrett, o baixista e vocalista Roger Waters gradualmente tornou-se o líder e principal compositor do Pink Floyd. Esta fase foi marcada pela produção de álbuns conceituais como The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975), Animals (1977) e The Wall (1979) --- álbuns que obtiveram êxito mundial, foram aclamados pela crítica especializada e figuraram em listas dos mais vendidos e populares em vários países.
Mas após o álbum, The Final Cut, (1983), o grupo separou-se. Em 1985, Waters declarou que o Pink Floyd estava extinto, mas os demais membros - agora liderados por Gilmour, mais o tecladista Richard Wright e o baterista Nick Mason -, após uma ação judicial (português europeu) ou briga judicial (português brasileiro), retomaram a banda com o nome oficial e seguiram gravando e se apresentando - com grande sucesso comercial - e, finalmente, fecharam um acordo com Waters.
Em 2 de julho de 2005 e pela primeira vez em 24 anos, a formação mais clássica do Pink Floyd voltou a tocar, para a sua maior plateia, no concerto Live 8, em Londres, Reino Unido. Em 15 de Setembro de 2008, o tecladista Richard Wright morreu, pondo um fim no sonho de um possível retorno dos Pink Floyd.
Em entrevista concedida ao jornal italiano La Repubblica[3] no dia 3 de fevereiro de 2006, Gilmour indicava o fim do Pink Floyd, declarando que o célebre grupo não produzirá qualquer novo material, nem voltará a reunir-se novamente. No entanto a possibilidade de se fazer uma apresentação similar ao Live 8 não foi descartada tanto por Gilmour[4] ou Mason.[5]
Wikipedia
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história
Carlos Drummond de Andrade
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 25 de junho de 2011
Os 10 mais imbecis da TV brasileira
1) Rodrigo Faro
2) Todos do Pânico na TV
3) Datena
4) Luciana Gimenez
5) Gugu
6) Sônia Abrão
7) Ratinho
8) Faustão
9) Celso Portiolli
10) Estou entre 3 agora...alguém sugere algum?
Help me!!!!
quinta-feira, 16 de junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Dança Moderna
Minha 1ª dança com véu! Essa é uma música de dança do ventre moderna, usamos algumas técnicas da dança tribal!
PS: Eu errei logo no começo, mas tudo bem...
PS: Eu errei logo no começo, mas tudo bem...
terça-feira, 31 de maio de 2011
Festival Elton John na UP!
Algumas fotos...
PARABÉNS! ADOREI PARTICIPAR DESSE PROJETO COM VOCÊS!
PARABÉNS! ADOREI PARTICIPAR DESSE PROJETO COM VOCÊS!
| Turma de Intermediate - Song: Daniel/ Presentation: Talking about the lyric and their drawings. I loved it! |
| Turna: Basic I. Song: Sacrifice / Presentation: Talking about Elton John's life and singing the song. So funny! |
| Turma Intermediate. Song: Can you feel the love tonight/ Presentation: Acting one part of the movie "The Lion King" and playing the song on the flute. Very creative! |
| Turma S.Basic. Song: Saturday Night/ Nikita - Presentation: A short play: "Who is the real Elton John?" Great! |
| Difficult to find out...but the real one is the girl on the right (Mayara)! |
| Turma: Advanced - teacher Luciana . Song: Nikita - Presentation: History class (in English) about Capitalism and Socialism - because of the song Nikita...=) |
| Turma: Basic II. Song: Sacrifice - Presentation: Singing the song, talking about Elton's life and a surprise at the end....rsrs |
| Cute! Cute! Cute! Turma: Kids - Teacher Jerson. Song: Crocodile Rock - Presentation: Singing, dancing and talking about Elton John's life! It was very good! |
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| Congratulations! You all are speaking a very good English! |
| Can you feel the love tonight by Elton John - Soundtrack of The Lion King movie |
Turma: S.Basic. Song: Honky Cat. Presentation: Dancing and talking about Elton John's life! You were amazing! |
O CISNE NEGRO
Além das Sapatilhas – Por Tiago César*
Título original: (Black Swan)
Lançamento: 2010 (EUA)
Direção: Darren Aronofsky
Atores: Natalie Portman, Mila Kunis, Winona Ryder, Vincent Cassel.
Duração: 103 min
Gênero: Suspense
E eu simplesmente AMEI o filme!
Poucas vezes o cinema falou da arte que é o ballet e de como são os progressos de uma bailarina para chegar ao movimento perfeito. O filme “Cisne Negro” narra o percurso da perfeccionista bailarina Nina (Natalie Portman) até a grande estréia do musical “Lago dos Cisnes”, no qual Nina, como protagonista, tem que interpretar tanto o cisne branco, puro e inocente, tanto o cisne negro, sedutor e malicioso. Porém, ela encontra algumas dificuldades para o papel de cisne negro, pois este está mais distante de sua personalidade.
Sofrendo grande pressão da mãe, a qual deixou de ser bailarina porque engravidou ainda jovem, e do exigente diretor do espetáculo, Nina começa a surtar para chegar à perfeição. Com isso, cria um conflito interno por meio do qual o diretor Darren Aronofsky, em várias cenas, convida o espectador a entrar na paranóia de Nina e acompanhá-la até a estréia do espetáculo.
Após alguns minutos de filme é inevitável não sentir o gosto de suspense e drama que Nina passa. Há varias cenas que mostram a bailarina indo para academia de forma a fazer você se sentir no trajeto. Outras cenas muito envolventes acontecem durante todo filme e, ao final, você sai do cinema com aquela sensação indescritível.
Filme que rendeu várias indicações ao Oscar e a Natalie Portman o Oscar de Melhor Atriz (mais que merecido, pois ela passou dois anos se dedicando ao ballet e teve que emagrecer cerca de 10 quilos) certamente se tornará um clássico dessa geração tão exigente, à qual o mercado do cinema está deixando um pouco a desejar. Há tempos não via um filme que mantivesse toda minha atenção como esse. Portman aparece literalmente perfeita. Ela é uma das grandes responsável por fazer o telespectador sentir cada movimento, cada angústia, cada esforço para ficar na ponta dos pés.
Cisne Negro é um grande presente para todas as bailarinas e para aqueles que, além de reconhecer uma boa obra, tem curiosidade sobre o mundo do ballet. É perfeito!
*Tiago César (aluno particular de português) treinando o gênero Resenha de Filmes. Parabéns!
Lançamento: 2010 (EUA)
Direção: Darren Aronofsky
Atores: Natalie Portman, Mila Kunis, Winona Ryder, Vincent Cassel.
Duração: 103 min
Gênero: Suspense
E eu simplesmente AMEI o filme!
terça-feira, 19 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
O controle social da imagem das mulheres na mídia
O vídeo abaixo é maravilhoso!
São minorias que não aparecem...não ganham notoriedade pública, mas que fazem um belíssimo trabalho de participação e atuação social. Muito orgulho de pessoas assim, de mulheres assim...
http://vimeo.com/13125905
São minorias que não aparecem...não ganham notoriedade pública, mas que fazem um belíssimo trabalho de participação e atuação social. Muito orgulho de pessoas assim, de mulheres assim...
http://vimeo.com/13125905
O Controle Social da Imagem da Mulher na Mídia from Intervozes on Vimeo.
HANNAH ARENTD e as mulheres
Sylvie Courtine-Denamy, doutora em Filosofia e pesquisadora do Centro de História Moderna e Contemporânea do Povo Judeu (E.P.H.E.), é autora do livro Trois Femmes dans des sombres temps. Edith Stein, Hannah Arendt, Simone Weil ou Amor fati, amor mundi. Paris: Albin Michel, 1997.
Por: IHU Online
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| Hannah Arendt, a filósofa do meu coração! |
Especialista em Hannah Arendt, ela fala na entrevista que segue, concedida à IHU On-Line, por e-mail, que “não reportar-se nem ao passado, nem ao futuro, mas estar plenamente presente", este é o imperativo ao qual Arendt se ateve e colocou em prática depois de tê-lo descoberto na Lógica do seu mestre Karl Jaspers: essa também é a divisa que poderia guiar-nos neste mundo já destituído de referências”. E acrescenta que a filósofa ficava irritada como papel de “mulher de exceção” que pretendiam fazê-la representar (a primeira mulher filósofa, a primeira mulher a ser convidada nas conferências de Princeton etc…), pois isso lhe lembrava o status dos "judeus como exceção", que lhe causava horror. A seus olhos, todo indivíduo, seja mulher ou homem, deve o seu status tão somente à sua competência”.
Courtine-Denamy recebeu o Prêmio Alberto Benveniste pelo seu livro La Maison de Jacob. La langue pour seule patrie. Paris: Phébus, 2001. Está publicado em português o seu livro Cuidado com o Mundo – o diálogo entre Hannah Arendt e alguns de seus contemporâneos. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2004. Na edição 168 da IHU On-Line, de 12-12-2005, dedicada a analisar o legado de Arendt, Simone Weil e Edith Steis, concedeu a entrevista Três mulheres em tempos sombrios. O material está disponível para download na página eletrônica do IHU.IHU On-Line - Como a filosofia de Hannah Arendt pode auxiliar as mulheres do século XXI a assumirem sua importância no processo político? - Hannah Arendt não era "feminista" se é que ser feminista implica militar a favor da "mulher", vista como uma entidade global e indistinta, da mesma forma que "os trabalhadores". Contrariamente a tais "abstrações", a sua única preocupação era o desabrochar e a preservação da singularidade de cada um, a revelação do "quem", a resposta à pergunta que outros me fazem: "quem é você?". Contudo, isso pressupõe o laço com os outros, o fato de expor-se no palco público para que sua voz seja ouvida e também se engajar na ação. Esta revelação não poderia ser, portanto, o viver uma vida de isolamento, debruçada no trabalho e confinada dentro de casa, a idiotia (idion) da vida privada ausente do mundo, e é nisso que consiste o exemplo de Hannah Arendt para os homens e as mulheres do século XXI: assumir a sua responsabilidade em relação ao mundo, responder pelo mundo, já que "nós não estamos apenas no mundo, mas somos do mundo".
Sylvie Courtine-DenamyIHU On-Line - Um dos livros da senhora, intitulado Três mulheres em termpos sombrios, retoma o título de Arendt, Homens em tempos sombrios. A senhora acredita que as mulheres de hoje ainda vivem em tempos sombrios? Por quê? E a política, também continua refém desses tempos sombrios? - Não, a expressão dos "tempos sombrios", que a própria Hannah Arendt retoma de um poema de Bertolt Brecht , tem uma conotação bem precisa que se refere à desumanidade nazista e não pode, portanto, aplicar-se à época atual, embora haja, infelizmente, numerosos países ainda onde os homens, e as mulheres mais especificamente, sofrem a opressão e a repressão. No final do seu ensaio Ideologia e terror, publicado em As origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989-2004, Hannah Arendt encarava a eventualidade de o totalitarismo perdurar entre nós. A data de 11 de setembro de 2001 apresenta, sem dúvida, analogias com os totalitarismos nazista e bolchevista: a aspiração totalitária de controlar a vida em sua integralidade, supostamente em nome do Corão, o desprezo com relação à decadência do mundo ocidental devido ao progresso e à separação entre o Estado e a religião e, conseqüentemente, o desejo de retornar a um passado intelectualmente mais brilhante e restaurar o califado do século VII, o anti-semitismo ostentado, a reivindicação de supranacionalismo – a "nação islâmica", a "nação de Maomé" — negando precisamente a pluralidade que é, segundo Arendt, "a lei da terra". Contudo, apesar do número de mortes civis provocadas pelos atentados suicidas, a despeito das ameaças proferidas pelo presidente iraniano contra o Estado hebreu, temos que reconhecer que, até agora pelo menos, o terrorismo islâmico não criou campos de exterminação e tampouco dispõe de um aparelho de Estado, mesmo se numerosos estados apóiam seus combatentes. Por conseguinte, com o 11 de setembro, talvez estejamos na presença de alguma coisa inédita, sem precedente – como era o caso, de acordo com Hannah Arendt, com os governos totalitários – para a qual carece tanto um novo conceito quanto uma nova definição. Alguma coisa que marca uma data não apenas para os Estados Unidos, mas na história da humanidade, no sentido em que, como o escreve Jacques Derrida, "marcar uma data pressupõe que alguma coisa ocorre ou se produz pela primeira e última vez".
Sylvie Courtine-Denamy
IHU On-Line - Como a trajetória de Arendt pode inspirar as mulheres filósofas contemporâneas? - Toda trajetória é singular, por definição, mas me parece que o que se deve precisamente considerar no exemplo de Arendt, é o seu grau de liberdade muito elevado, a sua ausência de preconceito, a sua vontade de não situar-se em lugar algum, de não ser enquadrada em nenhuma categoria. Portanto, como ela mesma definia: “Não me encaixo”.
Sylvie Courtine-DenamyIHU On-Line - Amor mundi, amor fati era o título inicial do livro que Arendt projetava para a obra A condição humana. Esse amor mundi teria algum traço do amor fati nietzschiano, de aceitação incondicional da realidade, de uma existência afirmativa? - Amor mundi era, de fato, o título que Hannah Arendt tinha em mente, a princípio, para o livro ao qual acabou dando o título a A condição humana. 10ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002-2005, conforme ela explicava ao seu mestre Karl Jaspers, este livro marcava, de fato, aos seus olhos, a sua "reconciliação" com um mundo onde não somente "tudo é permitido" (fórmula do niilismo), mas também onde tudo (a exterminação dos homens em nome de sua "superfluidade") tinha se tornado "possível", um mundo onde temos que continuar, apesar de tudo, a viver. A expressão amor fati não pertence, de maneira alguma, ao vocabulário de Hannah Arendt. E se eu escolhi este subtítulo para o meu livro Três mulheres em tempos sombrios: Edith Stein, Hannah Arendt, Simone Weil, é precisamente para marcar a oposição entre duas atitudes bem diferentes com relação à vida: o amor pelo mundo em Hannah Arendt, uma atitude de responsabilidade política, sem nenhuma conotação religiosa, enquanto o amor fati nietzschiano e estóico, a "aceitação", a aquiescência, ou ainda a resignação ao destino, caracterizaria mais a atitude de Simone Weil e de Edith Stein, impregnada de religiosidade, uma cedendo à atração da conversão, a outra hesitando incessantemente na entrada da Igreja.
Sylvie Courtine-DenamyIHU On-Line - Em que medida esse entendimento possibilita fundamentar o engajamento político? Por que Arendt não se interessou pela questão da libertação da mulher quando viveu nos EUA? - O seu amigo Hans Jonas explica este desinteresse pela condição feminina com base no fato de que Hannah Arendt queria conservar as suas "qualidades" femininas, isto é, os privilégios ligados à condição feminina. Para ele, o termo "feminismo" tem, indiscutivelmente, uma conotação bem pejorativa, é sinônimo de vulgaridade e agressividade. Uma frase de Hannah Arendt, em sua entrevista com Gauss , foi pronunciada a favor desta explicação bastante conservadora: "Sempre achei que existiam atividades determinadas que não convinham às mulheres. Dar ordens não fica bem para uma mulher, e é a razão pela qual ela deve esforçar-se a evitar tais situações se quiser, apesar de tudo, conservar suas qualidades femininas…". Se, dar ordens não fica bem para uma mulher, é porque Hannah Arendt se apóia na política no sentido aristotélico do termo, a saber, a tomada de decisão pela palavra e a persuasão e não pela força e a violência. Mas me parece também, assim como ela mesma o diz em algum lugar, que o combate pela liberação feminina, tal como se apresentava em sua época, lhe parecia puramente "social", abstrato e ineficaz: ela esperava, portanto, das mulheres, que elas se comprometessem ao mesmo título que os homens na via "política". Assim como ela o explica em seu Journal de pensée, não se deve confundir a parte com o todo. “Essencializar”, globalizar, é este o erro: "o absurdo que consiste em organizar as mulheres na qualidade de mulheres. O pecado mortal consiste em fazer passar o méros (= a parte) por um genos (= o todo): conceito de raça". Aliás, tais eram, já, os argumentos invocados por Rosa Luxemburgo . E no artigo que ela consagrou à La Passionaria em Vidas políticas, Hannah Arendt faz precisamente o elogio daquela que tinha escolhido "a pequena diferença" contra a "igualdade sufragista". Acho que ela teria zombado do conceito de "discriminação positiva" que irrompeu em nossa época, e principalmente no que se refere à questão da quota da representação feminina na política. A própria Hannah Arendt ficou muitas vezes irritada pelo papel de "mulher como exceção" que pretendiam fazê-la representar (a primeira mulher filósofa, a primeira mulher a ser convidada nas conferências de Princeton etc…), pois isso lhe lembrava o status dos "judeus como exceção", que lhe causava horror. A seus olhos, todo indivíduo, seja mulher ou homem, deve o seu status tão somente à sua competência.
Sylvie Courtine-DenamyIHU On-Line - A confissão de Arendt a Hans Jonas de que, após se ocupar da política, iria dedicar-se a coisas urgentes, não contradiz, em certo sentido, o valor que sempre deu à ação política, além de pressupor um dualismo que privilegia a teoria em relação à práxis? - Se a História não tivesse irrompido na vida de Hannah Arendt sob a forma do hitlerismo e das perseguições contra os judeus, entravando a sua carreira universitária, torna-se claro que a sua reflexão não se teria voltado e demorado no destino dos judeus, nas conseqüências paradoxais da emancipação que os transformaram em párias ou em novos ricos, que ela não teria realizado uma pesquisa sobre as Origens do Totalitarismo, que não teria refletido tanto na decadência da política em nosso tempo, e que ela nos teria entregue de imediato A Vida do espírito. Entretanto, o que foi para ela uma "má sorte" talvez constitua para nós, ao contrário, uma "sorte", a de ver sendo elaborada a procura de uma nova política que, indo de encontro à tradição do pensamento filosófico, não privilegiaria mais, de modo exclusivo, a torre de marfim, não afirmaria mais a supremacia do bios theoretikos mas assumiria, como fio condutor, a pluralidade, a natalidade e a capacidade de atuar, em que consiste a essência do homem, bem como a sua capacidade de julgamento.
Sylvie Courtine-DenamyIHU On-Line - A senhora poderia explicar o sentido de sua afirmação em entrevista à nossa revista, edição 168, de 12-12-2005, quando disse que o elo entre Arendt e Heidegger é de uma “fidelidade infiel”? - Hannah Arendt ficou, durante toda a sua vida, fascinada por aquele que ela chama, na homenagem que ela lhe presta por ocasião de seus oitenta anos, "o rei secreto" que ensinou a pensar a jovem estudante de dezoito anos que ela era então, na época em que freqüentou seus cursos em Marburg. Sua intenção era dedicar-lhe o livro a Condição do homem moderno, confessando "ele te deve tudo em todos os sentidos", razão do seu despeito quando o Sr. Heidegger não respondeu ao envio do seu livro que ela considerava como o seu livro de "teoria política". Parece, muitas vezes, que o seu pensamento é uma reação contra Heidegger, e esta é uma maneira de ser-lhe fiel, sendo-lhe, ao mesmo tempo, infiel. Assim, por exemplo, a sua insistência sobre o tema da "natalidade" como promessa de um novo início, em oposição a "o ser em direção à morte" que caracteriza, em Heidegger, a essência do homem. Ou ainda, enquanto o Sr. Heidegger lhe confessa, em sua correspondência, que não tem grande interesse pela política, ela, ao contrário, manifesta um enorme interesse pela mesma, valorizando a ação, julgando, como Leo Strauss , que a questão da "boa sociedade" está no âmago da vida política a partir do ano de 1933. Do mesmo modo, o empenho sustentado por Arendt encontra a sua formulação na expressão "preocupação pelo mundo", conceitos que se encontram bem presentes em Heidegger igualmente onde, desde Ser e tempo o fato de dedicar atenção indica a finitude característica do ser no mundo em oposição ao "bem de Deus (imortal) único suscetível de concluir a si mesmo, de acordo com a sua própria natureza", mesmo se ambos os conceitos não abrangem, evidentemente, a mesma realidade para os dois autores. E se Heidegger passou ao lado do "centro da política", conforme afirmado por ela em O interesse pela política no pensamento filosófico europeu hoje (1954), é precisamente porque ele omitiu pensar "o homem como ser atuante", privilegiando a pergunta "Como é que devemos pensar?" com relação à pergunta kantiana "O que devemos fazer?", e não hesitando em identificar o "pensar" e o "atuar". Ora, uma equivalência dessas é inadmissível para Hannah Arendt, constituindo a ação de comum acordo e o pensamento solitário duas posições "existenciais" totalmente diversas. Se Hannah Arendt desafia também a "pensar o que nós fazemos", se ela também enfatiza o fato de que o homem moderno não perdeu as suas faculdades, que ele tem a necessidade de pensar, ela convida, do mesmo modo, a recuperar a faculdade de atuar, atualmente monopolizada pelos cientistas. A "preocupação pelo mundo", em Hannah Arendt, consiste, portanto, num vaivém entre a ação e o espírito, mais do que numa abdicação da categoria da ação.
Sylvie Courtine-DenamyIHU On-Line - Gostaria de acrescentar algum aspecto não questionado? - "Não reportar-se nem ao passado, nem ao futuro, mas estar plenamente presente", este é o imperativo ao qual Hahhah Arendt se ateve e colocou em prática depois de tê-lo descoberto na Lógica do seu mestre Karl Jaspers: essa também é a divisa que poderia guiar-nos neste mundo já destituído de referências.
Sylvie Courtine-Denamysegunda-feira, 4 de abril de 2011
Freud - a vida e a morte
"Assim como o amor e o ódio pela mesma pessoa coexistem dentro de nós, a vida é uma mistura do desejo de viver como o desejo ambivalente de morrer. Da mesma forma que um elástico tende a voltar ao seu formato original, toda matéria viva, consciente ou inconscientemente, anseia pela inercia completa da existência inorgânica. Os desejos de morrer e de viver convivem lado a lado dentro de nós" FREUD
Na minha opinião, belíssimo!
Um elástico
a vontade da vida
que brota
floresce
multiplica
e volta para o início enigmático do mundo
o silêncio primeiro
de múltiplas vozes
o núcleo e o abismo
anseamos pela inercia completa da existência inorgânica
Eis a fonte da vida, a força avassaladora que nos acorda todos os dias,
O amanhecer.
Na minha opinião, belíssimo!
Um elástico
a vontade da vida
pulsa, empurra
fala mais alto
a sabedoria da natureza
num ciclo inesgotávelque brota
floresce
multiplica
e volta para o início enigmático do mundo
o silêncio primeiro
de múltiplas vozes
o núcleo e o abismo
A batida do coração
no silêncio da almaanseamos pela inercia completa da existência inorgânica
Eis a fonte da vida, a força avassaladora que nos acorda todos os dias,
O amanhecer.
sexta-feira, 25 de março de 2011
O (NEO) REALISMO E A REALIDADE
Escrevi este texto em 2009, depois de ter lido "Os pequenos Burgueses" de Carlos de Oliveira:
O NEOREALISMO PSICOLÓGICO EM “PEQUENOS BURGUESES”
NEO-REALISMO PSICOLÓGICO
Como abarcar a realidade? Essa sempre foi uma grande questão para o artista que, de uma forma ou de outra, interage com o mundo por meio da arte. A realidade, uma construção em todos os níveis (histórico, sociológico, ideológico, psicológico, linguístico etc), pode ser percebida e construída por diferentes prismas. Basta o artista escrever um livro, pintar um quadro, para estar criando uma percepção do real, que pode ser surreal, romântica, ultra-romântica, concreta. Como na construção de uma forma geométrica, essa percepção depende do ângulo e da profundidade que se almeja traçar.
Na literatura, outros aspectos são levados em conta, como o grau de objetividade e subjetividade usado nas descrições, a construção de personagens estereotipados ou psicologicamente desenvolvidos, o tipo de narração, os tipos de discursos diretos e indiretos, o emprego da linguagem poética em contraposição à linguagem mais técnica, entre outros. E quando a literatura se interessa pela política e a política pela literatura? Como fica a retratação da realidade?
O papel de denunciar a realidade social também ocupou os objetivos de estéticas literárias. Em Portugal, a literatura empenhada conhece com o Neo-Realismo uma nova forma de denunciar a realidade e as injustiças sociais; não se restringe apenas à objetividade do Realismo do século XIX - que já se propunha a analisar o homem dentro de seu contexto social, mas analisa o comportamento humano do homem social por meio da introspecção das personagens. Contempla, portanto, não só o mundo exterior, mas também o mundo interior, evidenciando as motivações psicológicas de cada ser. O neo-realismo é, portanto, “uma nova atitude do pensamento que se objetiva numa nova interpretação da realidade”[1]
EM “PEQUENOS BURGUESES”
Em Pequenos Burgueses de Carlos de Oliveira[2], o retrato social da pequena burguesia rural portuguesa é concebido, principalmente, por meio da técnica narrativa. Tal narrativa contempla um jogo de vozes que marca, de diferentes maneiras, tanto o discurso do narrador quanto o discurso das personagens. Diferentes modalidades discursivas entram em jogo, ora estamos diante do discurso direto (DD) e direto livre (DDL), ora do discurso indireto (DI) e indireto livre (DIL). Essa confluência de vozes e modalidades discursivas dá acesso aos personagens e aos acontecimentos por meio da mediação do narrador e por meio da própria perspectiva das personagens, através de seus pensamentos e diálogos internos.
É interessante observar como o narrador marca sua presença ou sua “ausência” no fato narrado. Os discursos estruturados de modos diversos evidenciam angústias, como as de Dona Lúcia, malícias, como as do Delegado, dissimulações, como as de Pablo Florez, entre outros sentimentos que os mostram como pequenos medíocres burgueses.
Quando a rapariga entra no pátio do Major já o sol nascente faísca nas vidraças e as plantas húmidas cintilam à primeira luz. A casa é um edifício de dois pisos [...] O Major desce agora por ela, a enrolar um cigarro, enquanto Maria Luz se some na cozinha.
Ao fundo da escada, risca um fósforo com raiva, a cabeça do fósforo salta, risca outro, acende o cigarro, e encosta-se a um dos pilares que sustentam a varanda alpendrada.[...] Repara então que tudo aquilo, a terra recriada em luz, o cheiro da fruta no nariz, o próprio cigarro, o acalmaram. Passa os dedo na barba escanhoada, verifica a macieza da pele [...].
D. Lúcia, D. Lúcia, que te hei-de eu fazer? Não compreendes que, no relento da cama, uma mulher de certa idade, com as miudezas muito gastas, o fluxo menstrual a estiar, exala um odor enjoativo capaz de retrair o maior garanhão? Bem sei que te lavas, escarolas, perfumas, escovas os cabelos, mas isso é por fora e a velhice está lá dentro, onde não chegam os teus cremes nem os teus sabonetes. Que queres que te diga tudo cara a cara, te explique tintin por tintin a náusea insidiosa, o pântano da nossa cama, sobretudo desde que dormi com Rosário a primeira vez? [...]
Da janela do quarto, D. Lúcia vê-lo desaparecer para lá da capela. As ferraduras da baia desprenderam uma nuvem de poeira [...]. Volta-se e olha para dentro do quarto. A roupa sobre a cômoda, o rosário com a sua cruz de prata na travesseira, tudo por arrumar. Levanta o rosário e acaricia as contas negras.
Tenho rezado muito. Ronda-me a tentação. Nada irreparável por enquanto, apenas o desejo de partir um frasco de perfume e cortar uma veia, mas cortá-la se estiveres perto e puderes ajudar-me[...]. Talvez um bom especialista de Lisboa me pudesse ainda valer. O Dr. Neto, esse, limita-se a sorrir, as coisas são o que são, minha senhora. Basta olhar para ele, basta ouvi-lo. A sua alma não é chamada para aqui. Não, doutor?, tem a certeza? [...]
D Lúcia, D Lúcia, estou a chegar a Corgos, empoeirado da viagem. A baia fez um galope estupendo nos últimos quilômetros [...] Não me perguntes o que sinto, não to sei dizer.
(OLIVEIRA, 1972, p.13-16)
A cena acima retrata o momento inicial em que a filha de Raimundo, Maria da Luz, chega à casa do Major para iniciar seu trabalho. Essa ação que se inicia com um narrador em terceira pessoa, relatando os acontecimentos e fornecendo as descrições da casa do Major e de seu comportamento naquela manhã nos leva à exposição do pensamento do Major no diálogo interno que trava consigo próprio e com uma D. Lúcia imaginária. Em seguida, a focalização narrativa passa a seguir D. Lúcia por meio de uma narração indireta, em terceira pessoa, que acompanha seu olhar a observar o marido a se afastar de casa e a observar a roupa sobre a cômoda no interior do quarto. Imediatamente, o discurso em primeira pessoa: “Tenho rezado muito. Ronda me a tentação...” abre espaço para as reflexões de D. Lúcia que começa a travar um diálogo consigo própria e com Dr. Neto, provável médico local. Finalmente, o foco recai novamente no Major, que já longe de casa, chegando à casa da amante Rosário, conversa, internamente, com Dona Lúcia, como nos indica o vocativo: “D. Lúcia, D, Lúcia”.
Estamos, portanto, diante de vozes que traçam diálogos internos; uma personagem sozinha cria conversas com outro que escuta, responde e interage no “diálogo”. A exposição psicológica promovida pelos diálogos internos é bem focalizada pelo discurso direto livre, cuja ausência de marcas introdutórias usadas no discurso direto, como travessão, aspas, dois pontos permite, a partir da perspectiva da personagem, o desencadeamento das múltiplas vozes dentro de um único ser, estabelecendo o conflito entre a imagem do eu com a imagem do tu e a provável imagem que o tu desenvolve acerca do eu, como em um espelho de inúmeros reflexos.
Na cena em questão, apresentada por alguns fragmentos do capítulo IV, temos a perspectiva do narrador em terceira pessoa, seus adjetivos e julgamentos, temos a voz do Major no diálogo interior com D. Lúcia, a voz de D. Lúcia no diálogo interior com Dr. Neto, a voz do Dr. Neto interagindo com D. Lúcia: “As coisas são o que são, minha senhora” e, por fim, novamente a voz do Major a elucidar D. Lúcia em sua reflexão. Na íntegra, o capítulo ainda nos revela outras vozes e perspectivas, como o discurso direto estabelecido entre Paulino e Major.
Os verbos no tempo presente acompanham as ações das personagens conferindo dinamicidade e neutralidade à trama: “O major desce agora por ela [...] enquanto Maria Luz se some na cozinha”, como se uma câmera em movimento estivesse acompanhando e fotografando a realidade. .
Diante dessa ficção que constrói a realidade, o novo realismo debruça-se nos discursos íntimos das personagens, encarando esses como uma porta para a realidade. Descobre-se, então, personagens que dialogam e sonham, mesmo que esses diálogos não possam ser externalizados. A arte preocupada com a vida denuncia problemas e lutas sociais, esses, por sua vez, podem ser localizados dentro do consciente das personagens:
“É neste compromisso constante com a realidade sem esquecer o mundo íntimo de cada uma que está a verdadeiramente novidade, a verdadeira nota fundamental do realismo dos nossos dias que desponta por toda a parte com um ar combativo e anti-irrealista, apesar de partir e de se nutrir, tecnicamente, com a mais aguda consciência dos pontos mais altos do irrealismo”[3]
Portanto, a interpretação da realidade em Pequenos Burgueses é marcada pelo olhar (neo) realista de caráter psicológico, o qual ganha, neste romance polifônico, a particularidade da exposição dos acontecimentos pelo viés externo e interno, contrapondo, assim, a aparência e a essência dos seres ali retratados, que pensam de uma maneira e agem de outra, que vivem precariamente, mas sonham magicamente, que traem, trapaceiam e que estão presos na própria vida medíocre burguesa.
Nathália Polachini
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] GOMES, Raul .Maria-Escada de serviço, 1948. In: Reis, Carlos. Textos do neo-realismo português, 1981, Seara Nova: Editorial comunicação, p.71.
[2] OLIVEIRA, Carlos. Pequenos Burgueses. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1ªedição brasileira, 1972.
[3] DIONÍSIO, Mario. Realismo, 1946. In: : Reis, Carlos. Textos do neo-realismo português, 1981, Seara Nova: Editorial comunicação, p.66.
-Anotações das aulas ministradas pela professora Lílian Jacoto (USP/DLCV) do curso de Literatura Portuguesa VI, 2º semestre de 2009
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