quarta-feira, 19 de outubro de 2011

MAIS DO MESMO

Recentemente, a propaganda da Hope com a Gisele Bunchen causou muita polêmica. O que pensar sobre isso? É sexista? Ofende? Não se passa de uma brincadeira? O que eu mais acredito é que cada um tem sua opinião e suas razões para tal. Também, o caso Rafinha Bastos e suas lamentáveis declarações sobre mulheres gerou o que falar. Eu tenho minhas dores e minhas opiniões, mas o que me interessa mais ainda é saber o que diferentes pessoas pensam e argumentam sobre isso; homens, mulheres, estudantes, professores, jornalistas, etc. Ai vai o resultado de uma produção escrita sobre igualdade de gêneros que meu aluno desenvolveu. Claro que ele não ia perder a oportunidade de incluir essa polêmica toda e atualizar sua redação. Ai vai:

Ouvidas de Lingerie – Tiago César.
                Não é de hoje que a mídia usa o seu poder para persuadir, vender, conquistar e manipular o público. Assim, os preconceitos presentes na sociedade acabam por sua vez nos meios midiáticos, como é o caso das representações sexistas, reflexos do machismo ainda presente na sociedade do século XXI. Por que mesmo com os grandes avanços e direitos igualitários por lei ainda temos grandes sucessos de estereótipos na mídia? Como uma população que resulta de grandes avanços e conquistas sociais pode tornar-se alienada pelo poder da mídia?
             A mídia traz uma padronização estética, de costumes e atitudes, o que exclui a diversidade e fortalece o preconceito. Basta você ligar sua televisão e observar propagandas de cerveja, roupas, carros, que muitas vezes usam da mulher como objeto para atingir suas vendas. Como é o caso da ultima campanha publicitária da “Hope”, que traz a modelo Gisele Bündchen ensinando que o jeito certo de contar más notícias para o marido é de lingerie (e de preferência da marca “Hope”). O fato é que as mulheres não devem ser só ouvidas de lingerie, como é mostrado na propaganda.
            Há muitas propagandas que incentivam a divisão de costumes entre homens e mulheres, o que faz com que a mulher que goste de futebol ou o homem que é ligado à moda se sinta excluído, mesmo num país “igualitário” por lei. A “mulher Amélia” já ficou séculos atrás, hoje já sabemos que tanto um homem quando uma mulher pode liderar e governar um país com a mesma eficiência.
         Uma sociedade não pode ser conduzida pelo poder da mídia. Não podemos ser julgados pela nossa personalidade ou por não possuir um corpo estético padrão, igual ao da Gisele Bündchen. A diversidade é o que faz a vida se tornar mais interessante, diferente e livre. Estabilizar-se em um conformismo é ir contra qualquer avanço cultural ou tecnológico.
        O governo aposta em projetos como o “Prêmio - construindo a igualdade dos gêneros”, no qual alunos de escolas públicas ou privadas podem participar escrevendo redações sobre o tema. O vencedor recebe uma quantia de 10 mil para ser aplicado na ampliação e fortalecimento de ações promotoras da igualdade de gênero. Um projeto que estimula e fortalece a reflexão crítica e a pesquisa sobre as desigualdades existentes entre homens e mulheres no Brasil. É desligando a TV e participando de projetos como esse que muita coisa pode melhorar.


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