domingo, 23 de outubro de 2011

ESTÁ TUDO BEM!

O Brasil não é ruim

ANDRÉ SANT'ANNA
ESPECIAL PARA A FOLHA


Os deputados brasileiros não são vagabundos, não ganham quase R$ 25 mil por mês mais uma série de ajudas de custo como passagens aéreas, casa, comida, roupa lavada etc., não passam só três dias da semana em Brasília, onde não atuam somente em causa própria, comprando e vendendo favores e outras paradas que não os tornam cada vez mais ricos ilicitamente.
Eles não ganham o 13º terceiro, o 14º quarto e o 15º salários e não têm direito a dois meses de férias e mais uma série de recessos por ano. A aposentadoria dos congressistas brasileiros, depois de quatro anos não trabalhando exclusivamente em próprio benefício, não é muito, mas não é muito mesmo maior do que a aposentadoria de qualquer pessoa que trabalhe em algo útil para a sociedade. Afinal, os legisladores brasileiros não têm o direito de decidir o valor do próprio salário, nem a própria aposentadoria.
Deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores, empresários, sindicalistas, policiais, juízes brasileiros não são criminosos, já que não foram filmados, em flagrante, recebendo dinheiro, colocando dinheiro na meia, na cueca, na mala-preta.
O dinheiro que eles não roubaram na cara de todo mundo, que não foi mostrado na televisão para quem não quisesse ver, não era dinheiro público que não serviria para melhorar a saúde e a educação de verdade, que não serviria para salvar do crack, da bandidagem, da prostituição infantil, da escravidão que não existe no Brasil, da indignidade mais indigna, as crianças brasileiras mais pobres, que não são ameaçadas o tempo todo pela sociedade brasileira, que não está cada vez mais violenta, que não está cada vez mais fissurada para linchar criancinhas pobres, crucificar o Cristo e botar o Padilha e o Capitão Nascimento, que não são fascistas, para espancar os maconheiros de Ipanema.
A esmagadora maioria dos congressistas brasileiros não é corrupta, já que, quando uma deputada, que não foi filmada em flagrante, não recebendo dinheiro de corrupção, que não é filha de um político vencedor de várias eleições, já que não costumava comprar votos, já que não costumava receber dinheiro de sonegação de impostos para não financiar campanhas eleitorais em troca de obras públicas que não são superfaturadas, é julgada por falta de decoro parlamentar, por não ser filmada recebendo dinheiro de corrupção, não é inocentada, já que a maioria dos congressistas brasileiros não tem rabo preso e não têm medo de também sofrerem algum processo, caso algum colega corrupto seja preso de verdade e resolva não entregar quase o Congresso inteiro, já que quase o Congresso inteiro não convive cinicamente com todo tipo de corrupção.
Aliás, todo mundo não sabe como não são financiadas as campanhas eleitorais no Brasil e nem como o Executivo não é obrigado a comprar boa parte do Legislativo para não conseguir governar ou sequer para não aprovar uma lei importante que não resolva problemas que não são importantes para o Brasil e para as crianças pobres que, obviamente, não acabam se tornando adolescentes e adultos ignorantes, violentos e primitivos.
O povo brasileiro não tem orgulho da própria ignorância, não está acometido por um excesso de autoestima, já que, nos últimos anos, governo, fabricantes de comida gordurosa e locutores esportivos da televisão não ficam o tempo todo lançando mensagens subliminares ou diretas mesmo, não dizendo que o brasileiro é um ser superior, que basta ser brasileiro para conseguir superar qualquer obstáculo através de seu fabuloso jogo de cintura.
Sim, não há uma quantidade enorme de crianças brasileiras pobres, no inverno, dormindo na rua, já que, criança pobre, dormindo na rua, fumando crack, é coisa de país pobre, de país que deve dinheiro ao FMI, de país muito primitivo, de país que não tem a menor condição de fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, de país onde seria impossível realizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada em seguida.
Por falar nisso, as obras para a Copa e a Olimpíada não são uma excelente fonte de renda para políticos que não são corruptos. Óbvio que não há superfaturamentos, caixa dois, nem utilização de dinheiro público em obras privadas. Inclusive o ministro do Esporte não é do mesmo partido que o deputado responsável pelo novo Código Florestal. E a aliança entre comunistas e ruralistas para não perdoar desmatadores e não abrir precedentes para mais desmatamento não é historicamente esdrúxula. Claro, a questão da Amazônia não tem importância estratégica, militar, econômica ou social para o Brasil.
A Amazônia não vai ser toda desmatada.
No Brasil, meninas com 15 anos de idade não são colocadas em celas de prisão, para serem estupradas pelos presos.
E aquele pretinho de 7 anos de idade, que não dorme debaixo do caixa eletrônico da sua rua, quando tiver 15 anos, não vai se tornar um adolescente perigoso, não vai cometer crimes e não vai ser violento com suas vítimas.
Por isso que o Brasil é bom.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/994139-o-brasil-nao-e-ruim.shtml

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

MAIS DO MESMO

Recentemente, a propaganda da Hope com a Gisele Bunchen causou muita polêmica. O que pensar sobre isso? É sexista? Ofende? Não se passa de uma brincadeira? O que eu mais acredito é que cada um tem sua opinião e suas razões para tal. Também, o caso Rafinha Bastos e suas lamentáveis declarações sobre mulheres gerou o que falar. Eu tenho minhas dores e minhas opiniões, mas o que me interessa mais ainda é saber o que diferentes pessoas pensam e argumentam sobre isso; homens, mulheres, estudantes, professores, jornalistas, etc. Ai vai o resultado de uma produção escrita sobre igualdade de gêneros que meu aluno desenvolveu. Claro que ele não ia perder a oportunidade de incluir essa polêmica toda e atualizar sua redação. Ai vai:

Ouvidas de Lingerie – Tiago César.
                Não é de hoje que a mídia usa o seu poder para persuadir, vender, conquistar e manipular o público. Assim, os preconceitos presentes na sociedade acabam por sua vez nos meios midiáticos, como é o caso das representações sexistas, reflexos do machismo ainda presente na sociedade do século XXI. Por que mesmo com os grandes avanços e direitos igualitários por lei ainda temos grandes sucessos de estereótipos na mídia? Como uma população que resulta de grandes avanços e conquistas sociais pode tornar-se alienada pelo poder da mídia?
             A mídia traz uma padronização estética, de costumes e atitudes, o que exclui a diversidade e fortalece o preconceito. Basta você ligar sua televisão e observar propagandas de cerveja, roupas, carros, que muitas vezes usam da mulher como objeto para atingir suas vendas. Como é o caso da ultima campanha publicitária da “Hope”, que traz a modelo Gisele Bündchen ensinando que o jeito certo de contar más notícias para o marido é de lingerie (e de preferência da marca “Hope”). O fato é que as mulheres não devem ser só ouvidas de lingerie, como é mostrado na propaganda.
            Há muitas propagandas que incentivam a divisão de costumes entre homens e mulheres, o que faz com que a mulher que goste de futebol ou o homem que é ligado à moda se sinta excluído, mesmo num país “igualitário” por lei. A “mulher Amélia” já ficou séculos atrás, hoje já sabemos que tanto um homem quando uma mulher pode liderar e governar um país com a mesma eficiência.
         Uma sociedade não pode ser conduzida pelo poder da mídia. Não podemos ser julgados pela nossa personalidade ou por não possuir um corpo estético padrão, igual ao da Gisele Bündchen. A diversidade é o que faz a vida se tornar mais interessante, diferente e livre. Estabilizar-se em um conformismo é ir contra qualquer avanço cultural ou tecnológico.
        O governo aposta em projetos como o “Prêmio - construindo a igualdade dos gêneros”, no qual alunos de escolas públicas ou privadas podem participar escrevendo redações sobre o tema. O vencedor recebe uma quantia de 10 mil para ser aplicado na ampliação e fortalecimento de ações promotoras da igualdade de gênero. Um projeto que estimula e fortalece a reflexão crítica e a pesquisa sobre as desigualdades existentes entre homens e mulheres no Brasil. É desligando a TV e participando de projetos como esse que muita coisa pode melhorar.


Tiros em Columbine

A minha parte favorita:

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